Sejam movidos por íntima compaixão

devocional

Quando Paulo escreveu aos gregos de Corinto, ele estava consciente acerca do contexto filosófico de seus destinatários. Tendo avançado da mitologia à filosofia, muitos pensadores helênicos julgavam-se sábios. Então o apóstolo, embora valorizasse o conhecimento e a sabedoria, enfatizou a fé acima da teoria e o poder acima das palavras.

“Porque está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniquilarei a inteligência dos inteligentes” (1Co 1.19). “E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus” (1Co 2.4-5). “Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia” (1Co 3.19).

O conhecimento natural é importante, mas corremos o risco de ficar muito satisfeitos com ele, mesmo sendo deficientes no que diz respeito à fé e ao poder. Nesse caso, teremos apenas a letra, que mata. Paulo enfatiza, portanto, a ação do Espírito Santo nos crentes por meio dos dons espirituais (1Co 12). Todavia o apóstolo deixa claro que conhecimento, fé e poder serão insuficientes ou até mesmo inúteis sem o amor: “O conhecimento traz orgulho, mas o amor edifica. Quem pensa conhecer alguma coisa ainda não conhece como deveria” (1Co 8.1-2). “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, se não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E, ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria” (1Co 13.1-2).

O cristão não será identificado pelo seu grande conhecimento, fé ou poder, mas pela demonstração do amor de Cristo. Diante dos perdidos e necessitados deste mundo, de nada valerá nosso conhecimento se não houver em nós o mesmo sentimento que houve em Jesus (Fp 2.5). Ele não ficava indiferente ao sofrimento alheio, mas era “movido por íntima compaixão” (Mt 14.14; 20.34; Lc 7.13). O conhecimento, a fé e o poder, embora necessários, talvez não sejam capazes de nos mover, mas a compaixão, produzida pelo amor, pode nos levar a agir a favor do nosso semelhante

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